quinta-feira, 17 de maio de 2012

Bombardilhe e Compartilhe


Foto em: photaki.es


Acho que o Facebook deveria ter a opção "Bombardilhe".  
Seria um vomitório de indignações.  
Usar postagens bem humoradas é melhor. 
Não sendo possível, vai no seco mesmo.  
Chega dessa de nivelar o povo brasileiro pela minoria ignara.  
Nos estádios de futebol só arranjam confusões pelo efeito das bebidas alcoólicas, cerca de 3% (se tanto) do público presente.  
Aí vem a lei e enquadra todo mundo na proibição.  

Como os cordeirinhos engajados não berram, os monstrengos de Brasília deitam e rolam na excreção de normas que ofendem e insultam a nossa dignidade
Caberia ao estado a proteção dos outros 97% mas, não, é muito mais fácil proibir a galera toda de tomar a sua cervejinha.   

Não é esta uma das minorias que têm de ser "defendidas", seus imbecis de conveniência!  Essa minoria é a vergonha das minorias necessitadas.

Seria a burrice da generalização que graça solta nos corredores do poder?!

Pelo que sei existem políticos honestos e bem intencionados que ficam invocados com essa tal generalização.  E aí?! 

Até quando os melhores terão de sofrer pelos piores?!

Estou muito à vontade para falar nesse assunto.  
Já bebi o Oceano Atlântico e sei bem das alterações que o álcool promove nas cabecinhas e, nem por isso, vou me meter no livre arbítrio de cada um.   

Eu respeito, prego e tento viver a liberdade. 

Não estou falando em libertinagem, falô ou, faiô?!

Já que existe o bafômetro, que tal inventarem o drogômetro?!

Certa feita deixei de admitir, para trabalho doméstico, uma garota de 15 anos, filha de mãe conhecida e de pai desconhecido para não infringir a lei que protege as crianças do trabalho infantil.  Tá bão.  Ela voltou para o barraco e para a educação carente da sua alcoolizada mãezinha. 

Essa mania, ou pretensão de elevar o Brasil a país de primeiro mundo, através de decretos e leis, é uma grandíssima merda. 

Demagogia da pior espécie e de efeitos sociais devastadores.

Meu pai vendeu pasteis nas ruas.  O falecido José de Alencar, ex-vice-presidente, começou muito cedo a sua labuta para se tornar o maior empresário têxtil do país.  
Trabalhar dignifica e, exemplos não faltam para comprovar.  

Estivéssemos numa sociedade perfeita e equilibrada, sem os riscos da rua, como querem fazer acreditar os genitores dessas leis que ofendem a nossa auto-estima, tudo bem.  

Entretanto, se fosse assim, elas seriam inócuas ou desnecessárias.  

Já estou cheio desses paradoxos fascistas.

Não me venham com estatísticas sobre criminalidade que diminuiu nos estádios se, a mesma, aumentou nas ruas.  
Se mostrarem a primeira quero ver a outra. Não abro mão disso.
Não me venham, também, falar sobre trabalho escravo de crianças nas carvoarias ou onde quer quer seja. 
- Cadeia ou severas penalidades pros marginais que agem assim.  

Não nos façam remeter ao tráfico de drogas e à criminalidade, os meninos e as meninas que queiram trabalhar.  

Ainda existe muita gente de bom caráter nesta terra. 

É muito melhor que esses anjos fiquem sob a proteção destas, que soltas ao Deus dará. 

País muito estranho esse nosso.  
A população aumenta e a capacidade dos estádios de futebol diminui.  
Não fica clara a intenção de elitizar o esporte?! 
Isso acontecendo num governo socialista fica, ainda, muito mais estranho, né não?!
Ah, dirão alguns: essas medidas são necessárias para proteção do público!
Caras de pau, né não?!

O que realmente protege a população é segurança, educação e saúde ao alcance de todos.
Isso fica caro, né não?! 

Vamos, então, ver jogo no boteco da esquina.  
Lá pode beber à vontade, não tem policial enchendo o saco e podemos enfiar a mão na cara de quem quer que seja. 
Só não pode fumar cigarro.
Eita paizinho da hora, sô!!

Fred, 17/05/2012


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Aparência Física de Jesus


Em: http://www.tutomania.com.br/saiba-mais/o-aspecto-fisico-de-jesus

 

O Aspecto Físico de Jesus
Como era Jesus fisicamente? Não há relatos bíblicos suficientes para se ter uma idéia de Sua aparência. Porém, políticos e historiadores do primeiro século descreveram não só a Sua aparência bem como o Seu comportamento, confirmando o que está escrito no Novo Testamento.

A Epístola de Publius Lentullus (Públio Lêntulo) ao Senado

Esta descrição foi retirada de um manuscrito da biblioteca de Lord Kelly, anteriormente copiada de uma carta original de Públio Lêntulo em Roma. Era costume dos governadores romanos relatar ao Senado e ao povo coisas que ocorriam em suas respectivas províncias no tempo do imperador Tiberio César. Públio Lêntulo, que governou a Judéia antes de Pôncio Pilatos, escreveu a seguinte epístola ao Senado relativo ao Nazareno chamado Yeshua (Jesus), no princípio das pregações:

"Apareceu nestes nossos dias um homem, da nação Judia, de grande virtude, chamado Yeshua, que ainda vive entre nós, que pelos Gentios é aceito como um profeta de verdade, mas os seus próprios discípulos chamam-lhe o Filho de Deus - Ele ressuscita o morto e cura toda a sorte de doenças. Um homem de estatura um pouco alta, e gracioso, com semblante muito reverente, e os que o vêem podem amá-lo e temê-lo; seu cabelo é castanho, cheio, liso até as orelhas, ondulado até os ombros onde é mais claro. No meio da cabeça os cabelos são divididos, conforme o costume dos Nazarenos. A testa é lisa e delicada; a face sem manchas ou rugas, e avermelhada; o nariz e a boca não podem ser repreendidos; a barba é espessa, da cor dos cabelos, não muito longa, mas bifurcada; a aparência é inocente e madura; seus olhos são acinzentados, claros, e espertos - reprovando a hipocrisia, ele é terrível; admoestando, é cortês e justo; conversando é agradável, com seriedade. Não se pode lembrar de alguém tê-lo visto rir, mas muitos o viram lamentar. A proporção do corpo é mais que excelente; suas mãos e braços são delicados ao ver. Falando, é muito temperado, modesto, e sábio. Um homem, pela sua beleza singular, ultrapassa os filhos dos homens".

A carta de Pontius Pilate (Pôncio Pilatos) para Tiberius Caesar (Tibério César) 

Este é um reimpresso de uma carta de Pôncio Pilatos para Tibério César que descreve a aparência física de Jesus. As cópias estão na Biblioteca Congressional em Washington, D.C. É bem provável que tenha sido escrita nos dias que antecederam a crucifixação.

PARA TIBÉRIO CÉSAR:

Um jovem homem apareceu na Galiléia que prega com humilde unção, uma nova lei no nome do Deus que o teria enviado. No princípio estava temendo que seu desígnio fosse incitar as pessoas contra os romanos, mas meus temores foram logo dispersados. Jesus de Nazaré falava mais como um amigo dos romanos do que dos judeus. Um dia observava no meio de um grupo um homem jovem que estava encostado numa árvore, para onde calmamente se dirigia a multidão. Me falaram que era Jesus. Este eu pude facilmente ter identificado tão grande era a diferença entre ele e os que estavam lhe escutando. Os seus cabelos e barba de cor dourada davam a sua aparência um aspecto celestial. Ele aparentava aproximadamente 30 anos de idade. Nunca havia visto um semblante mais doce ou mais sereno. Que contraste entre ele e seus portadores com as barbas pretas e cútis morenas! Pouco disposto a lhe interromper com a minha presença, continuei meu passeio mas fiz sinal ao meu secretário para se juntar ao grupo e escutar. Depois, meu secretário informou nunca ter visto nos trabalhos de todos os filósofos qualquer coisa comparada aos ensinos de Jesus. Ele me contou que Jesus não era nem sedicioso nem rebelde, assim nós lhe estendemos a nossa proteção. Ele era livre para agir, falar, ajuntar e enviar as pessoas. Esta liberdade ilimitada irritou os judeus, não o pobre mas o rico e poderoso.

Depois, escrevi a Jesus lhe pedindo uma entrevista no Praetorium. Ele veio. Quando o Nazareno apareceu eu estava em meu passeio matutino e ao deparar com ele meus pés pareciam estar presos com uma mão de ferro no pavimento de mármore e tremi em cada membro como um réu culpado, entretanto ele estava tranqüilo. Durante algum tempo permaneci admirando este homem extraordinário. Não havia nada nele que fosse rejeitável, nem no seu caráter, contudo eu sentia temor na sua presença. Eu lhe falei que havia uma simplicidade magnética sobre si e que a sua personalidade o elevava bem acima dos filósofos e professores dos seus dias.

Agora, ó nobre soberano, estes são os fatos relativos a Jesus de Nazaré e eu levei tempo para lhe escrever em detalhes estes assuntos. Eu digo que tal homem que podia converter água em vinho, transformar morte em vida, doença em saúde; tranqüilizar os mares tempestuosos, não é culpado de qualquer ofensa criminal e como outros têm dito, nós temos que concordar - verdadeiramente este é o filho de Deus.

Seu criado mais obediente,
Pôncio Pilatos

O Volume Archko

Outra descrição de Jesus foi encontrada em "O Volume Archko" que contém documentos de tribunais oficiais dos dias de Jesus. Esta informação confirma que Ele veio de segmentos raciais que tiveram olhos azuis e cabelos dourados (castanhos claros). No capítulo intitulado "A Entrevista de Gamaliel" está declarado relativo ao aparecimento de Jesus (Yeshua):

"Eu lhe pedi que descrevesse esta pessoa para mim, de forma que pudesse reconhece-lo caso o encontrasse. Ele disse: 'Se você o encontrar [Yeshua] você o reconhecerá. Enquanto ele for nada mais que um homem, há algo sobre ele que o distingue de qualquer outro homem. Ele é a "cara da sua mãe", só não tem a face lisa e redonda. O seu cabelo é um pouco mais dourado que o seu, entretanto é mais queimado de sol do que qualquer outra coisa. Ele é alto, e os ombros são um pouco inclinados; o semblante é magro e de uma aparência morena, por causa da exposição ao sol. Os olhos são grandes e suavemente azuis, e bastante lerdos e concentrados....'. Este judeu [Nazareno] está convencido ser o messias do mundo. [...] esta é a mesma pessoa que nasceu da virgem em Belém há uns vinte e seis anos atrás..."

- O Volume de Archko, traduzido pelos Drs. McIntosh e Twyman do Antiquário Lodge, em Genoa, Itália, a partir dos manuscritos em Constantinopla e dos registros do Sumário do Senado levado do Vaticano em Roma (1896) 92-93


Flavio Josefo, historiador judeu, em "Antigüidades dos Judeus"

Esta é uma citação de Flavio Josefo, em suas escritas históricas do primeiro-século intituladas, "Antigüidades dos Judeus" Livro 18, Capítulo 2, seção 3:

" Agora havia sobre este tempo Jesus, um homem sábio, se for legal chamá-lo um homem; porque ele era um feitor de trabalhos maravilhosos, professor de tais homens que recebem a verdade com prazer. Ele atraiu para si ambos, muitos judeus e muitos Gentios. Ele era o Cristo. E quando Pilatos, à sugestão dos principais homens entre nós, o tinha condenado à cruz, esses que o amaram primeiramente não o abandonaram; pois ele lhes apareceu vivo novamente no terceiro dia, como os profetas divinos tinham predito estas e dez mil outras coisas maravilhosas relativas a ele. E a tribo de cristãos, assim denominada por ele, não está extinta neste dia".

Cornélio Tácito, historiador romano
Cornélio Tácito foi um historiador romano que viveu entre aproximadamente 56 e 120 DC. Acredita-se que tenha nascido na França ou Gália numa família aristocrática provinciana. Ele se tornou senador, um cônsul, e eventualmente o governador da Ásia. Tácito escreveu pelo menos quatro tratados históricos. Por volta de 115 DC, publicou Anais nos quais declara explicitamente que Nero perseguiu os cristãos para chamar atenção para longe de si do incêndio de Roma em 64 DC. Naquele contexto, ele menciona Cristo que foi pôsto a morte por Pôncio Pilatos:

Christus: Anais 15.44.2-8

"Nero fixou a culpa e infligiu as torturas mais primorosas em uma classe odiada para as suas abominações, chamados pela plebe de cristãos. Cristo, de quem o nome teve sua origem, sofreu a máxima penalidade durante o reinado de Tibério às mãos de um de nossos procuradores, Pôncio Pilatos, e uma superstição mais danosa, assim conferidas para o momento, novamente falida não só na Judéia, a primeira fonte do mal, mas até mesmo em Roma..."
Fred, 16/05/2012



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Os malefícios das tralhas



Texto de Carlos Solano que, mesmo surrado pela internet, é bom guardar.


Foto em: anaharmonize.blogspot.com

-"Bom dia, como tá a alegria"? Diz dona Francisca, minha faxineira rezadeira, que acaba de chegar.
-"Antes de dar uma benzida na casa, deixa eu te dar um abraço que preste!" e ela me apertou.
Na matemática de dona Francisca, "quatro abraços por dia dão para sobreviver; oito ajudam a nos manter vivos; 12 fazem a vida prosperar".
Falando nisso, "vida nenhuma prospera se estiver pesada e intoxicada".
Já ouviu falar em toxinas da casa?
Pois são:
- objetos que você não usa, 
- roupas que você não gosta ou não usa a um ano,
- coisas feias,
- coisas quebradas, lascadas ou rachadas
- velhas cartas, bilhetes,
- plantas mortas ou doentes,
- recibos/jornais/revistas, antigos,
- remédios vencidos,
- meias velhas, furadas,
- sapatos estragados...
Ufa, que peso!
"O que está fora está dentro e isso afeta a saúde", aprendi com dona Francisca.
- "Saúde é o que interessa. O resto não tem pressa"!, ela diz, enquanto me ajuda a 'destralhar', ou liberar as tralhas da casa...
O 'destralhamento' é a forma mais rápida de transformar a vida e ajuda as outras eventuais terapias.
Com o destralhamento:
- A saúde melhora;
- A criatividade cresce;
- Os relacionamentos se aprimoram...
É  comum se sentir:
- cansado,
- deprimido,
- desanimado,
em um ambiente cheio de entulho, pois "existem fios invisíveis que nos ligam à tudo aquilo que possuímos".
Outros possíveis efeitos do "acúmulo e da bagunça":
- sentir-se desorganizado;
- fracassado;
- limitado;
- aumento de peso;
- apegado ao passado...
No porão e no sótão, as tralhas viram sobrecarga;
Na entrada, restringem o fluxo da vida;
Empilhadas no chão, nos puxam para baixo;
Acima de nós, são dores de cabeça;
“Sob a cama, poluem o sono”.
-"Oito horas, para trabalhar;
Oito horas, para descansar; 
Oito horas, para se cuidar."
Perguntinhas úteis na hora de destralhar-se:
- Por que estou guardando isso?
- Será que tem a ver comigo hoje ?
- O que vou sentir ao liberar isto?  
...e vá fazendo pilhas separadas...
- Para doar!
- Para jogar fora!
Para destralhar mais: 
- livre-se de barulhos,
- das luzes fortes,
- das cores berrantes,
- dos odores químicos,
- dos revestimentos sintéticos...
e também...
- libere mágoas,
- pare de fumar,
- diminua o uso da carne,
- termine projetos inacabados.
"Se deixas sair o que está em ti, o que deixas sair te salvará..
Se não deixas sair o que está em ti, o que não deixas sair te destruirá",


Arremata o mestre Jesus, no evangelho de Tomé.

"Acumular nos dá a sensação de permanência, apesar de a vida ser impermanente", diz a sabedoria oriental.

O Ocidente resiste a essa idéia e, assim, perde contato com o sagrado instante presente.
Dona Francisca me conta que:
"as frutas nascem azedas e no pé, vão ficando docinhas com o tempo"..
a gente deveria de ser assim, ela diz


-"Destralhar ajuda a adocicar."

Se os sábios concordam, quem sou eu para discordar?!


Fred, 25/04/2012


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Para refletir e confundir.






“Se o verdadeiro amor é a capacidade de renunciar a sua 
própria felicidade pela felicidade da pessoa amada, é 
importante que você seja capaz de disfarçar muito bem, pois a sua infelicidade causará maiores danos se o outro compartilhar da mesma atitude.” 

Alhos bugalhos e bagulhos
Fazer o que?
A vida é assim...

(Fred abril de 2012)

sábado, 31 de março de 2012

“Nosso Lar” é sustentável?



Foto em estranhoescontro.blogspot.com

"André Trigueiro é jornalista com Pós-graduação em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ onde hoje leciona a disciplina “Geopolítica Ambiental”, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ, autor do livro “Mundo Sustentável - "Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação", coordenador editorial e um dos autores do livro "Meio Ambiente no século XXI", e “Espiritismo e Ecologia”, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio, pela Editora FEB, 2009. É apresentador do Jornal das Dez e editor-chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro."

http://www.mundosustentavel.com.br/andre-trigueiro/



"

“Nosso Lar” é sustentável?


O filme mais caro da história do cinema nacional consumiu boa parte dos 20 milhões de reais de seu orçamento em efeitos especiais que se prestam à impressionante visualização da cidade espiritual descrita pelo Espírito André Luiz através da psicografia de Francisco Cândido Xavier.
“Nosso Lar” impressiona pelo bom gosto na justa distribuição dos espaços de área construída intercaladas por gramados e lagos. As áreas verdes e a presença da água marcam o projeto urbanístico da cidade, onde os pedestres circulam livremente sem disputar espaços com qualquer gênero de transporte individual. O transporte público de massa é o aérobus, muito parecido com o nosso metrô de superfície, só que sem trilhos. O magnetismo que impulsiona o veiculo é o mesmo que por aqui já empurra trens-bala de alta velocidade.
Os prédios públicos são imponentes e com design arrojado. Privilegiam a iluminação natural com imensas janelas ou áreas vazadas. Para as demais edificações o gabarito é invariavelmente baixo, harmonizando-se as áreas povoadas sem aglomerações indevidas.
Predominam por toda a cidade as cores claras com tons vitalizantes, cromoterápicos. Vista de cima, “Nosso Lar” lembra um pouco o plano-piloto de Brasília sem asfalto ou automóveis.
Em resumo: para espíritas ou não espíritas, o filme exibe conceitos de urbanismo modernos e sofisticados que poderiam inspirar nossos gestores.

"

quarta-feira, 28 de março de 2012

Manhã de Carnaval



Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá e Antônio Maria)

Luiz Bonfá ( *1922 +2001)
BIOGRAFIA
Nasceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de outubro de 1922. Apesar de um pouco ofuscado pelas presenças de Tom Jobim e João Gilberto, Luiz Bonfá também estava presente no nascimento da bossa nova. Pelo menos duas de suas canções, "Manhã de Carnaval" e "Samba de Orfeu", deram a volta ao mundo três anos antes que as canções de Jobim revolucionasse o mundo do jazz.
Bonfá aprendeu a tocar violão aos onze anos e estudou guitarra clássica com o mestre uruguaio Isaías Sávio. Ele começou a trabalhar nos clubes do Rio como cantor do grupo Quitandinha Serenaders e em 1946 já aparecia nos programas da Radio Nacional.
Em 1957, Bonfá começava a dividir seu tempo entre New York e Rio, excursionando pelos Estados Unidos com a cantora Mary Martin e compondo e gravando trilhas para filmes brasileiros.
O momento decisivo de sua carreira aconteceu em 1959 quando o diretor francês Marcel Camus o convidou para contribuir com algumas canções para o filme "Orfeu Negro". "Manhã de Carnaval" se tornou um sucesso como canção popular e também no jazz.
Do período que vai do final da década de 50 até os anos 60, Bonfá gravou diversos álbuns para o mercado americano através das gravadoras EMI Odeon (Capitol), Dot, Atlantic, Cook, Philips, Epic e Verve. Bonfá apareceu de forma destacada junto com suas canções no álbum "Jazz Samba Encore" com Jobim e Stan Getz.
A presença de Bonfá nos Estados Unidos praticamente desapareceu depois dos anos 60, apesar dele continuar excursionando e compondo e participando de mais de 50 álbuns. Bonfá retornou 15 anos depois, em 1989 com "Non-Stop to Brazil" para a gravadora Chesky.
Em 1991 gravou para a Milestone "The Bonfa Magic" e em 1993 "Moods" para o selo GSP. No final dos anos 90 desenvolveu uma parceria criativa com a emergente cantora brasileira Ithamara Koorax, gravando o álbum "Almost Love".
O compositor e violonista Luiz Bonfá morreu na madrugada do dia 12 de janeiro de 2001, no Rio de Janeiro, aos 78 anos. Bonfá, um dos precursores da bossa nova, estava internado em uma clínica na Barra da Tijuca e foi enterrado no mesmo dia , às 16h30, no Cemitério Jardim da Saudade.
Fonte: http://www.clubedejazz.com.br/jazzb/jazzista_exibir.php?jazzista_id=208

Antonio Maria (*1921 +1964)
BIOGRAFIA:
Antônio Maria Araújo de Morais nasceu no Recife, em 17 de março de 1921, filho de Inocêncio Ferreira de Morais e Diva Araújo de Morais. Junto com os irmãos Rodolfo, Maria das Dores, Consuelo, e inúmeros primos, teve uma infância feliz, conforme se depreende de suas crônicas sobre os bons momentos desfrutados, nessa época, em sua terra natal. Nelas nos conta sobre a mãe carinhosa, os tempos de colégio, as aulas de música, as lições de francês, os mergulhos no rio e os "banhos salgados", as férias na usina Cachoeira Lisa, deixada por seu avô materno, Rodolfo Araújo.
Seu primeiro emprego, aos 17 anos, foi o de apresentador de programas musicais na Rádio Clube Pernambuco. Vencido o primeiro degrau, no ano de 1940, mês de março, vem para o Rio a bordo do Ita "Almirante Jaceguai", "com quatro roupas novas e cinco contos no bolso", para ser locutor esportivo na Rádio Ipanema. A cidade tinha 1.764.411 habitantes. Quase todos cantavam que o passarinho do relógio está maluco, achavam que a Elvira Pagã era uma uva e fingiam não ver , no prédio moderninho do Ministério da Educação e Cultura (MEC) que Carlos Drummond de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda (pai do Chico) bancavam os antigos e se estapeavam, óculos quebrados, por causa de um xodó comum. Foi direto do Ita para o apartamento 1.005 do edifício Souza, na Cinelândia, onde passou a morar ao lado de Fernando Lobo e Abelardo Barbosa, o futuro rei dos auditórios Chacrinha, também pernambucanos. Também viviam por lá Dorival Caymmi e o pintor Augusto Rodrigues.
Ficou pouco tempo por aqui — 10 meses — sem ser notado. Passou fome, foi humilhado e preso.
Retornou ao Recife e se casou, em maio de 1944, com Maria Gonçalves Ferreira. Logo muda-se para Fortaleza, tendo ido trabalhar na Rádio Clube do Ceará. Depois de um ano vai para a Bahia como diretor das Emissoras Associadas, tendo ali conhecido e feito amizade com Di Cavalcanti, Dorival Caymmi e Jorge Amado. Chegou a ser candidato a vereador naquela cidade.
Volta ao Rio de Janeiro, em 1947, já com dois filhos, Rita e Antônio Maria Filho, como diretor artístico da Rádio Tupi. Convocado por Assis Chateaubriand foi o primeiro diretor de produção da TV Tupi, inaugurada em 20 de janeiro de 1951, tendo trabalhado também como cronista de O Jornal
Continua em: http://www.letras.com.br/biografia/antonio-maria

ZZFred (28/03/2012)

terça-feira, 6 de março de 2012

A COPA DO MUNDO (2014) NÃO SERÁ NOSSA!

(Texto que circula pela internet cujo teor sugere muita reflexão)

A COPA DO MUNDO (2014) NÃO SERÁ NOSSA!
Frei Betto
Para bem funcionar, um país precisa de regras. Se carece de leis e de quem zele por elas, vale a anarquia. O Brasil possui mais leis que população. Em princípio, nenhuma delas pode contrariar a lei maior – a Constituição. Só em princípio. Na prática, e na Copa, a teoria é outra.
Diante do megaevento da bola, tudo se enrola. A legislação corre o risco de ser escanteada e, se acontecer, empresas associadas à FIFA ficarão isentas de pagar impostos.
A lei da responsabilidade fiscal, que limita o endividamento, será flexibilizada para facilitar as obras destinadas à Copa e às Olimpíadas. Como enfatiza o professor Carlos Vainer, especialista em planejamento urbano, um município poderá se endividar para construir um estádio. Não para efetuar obras de saneamento...
A FIFA é um cassino. Num cassino, muitos jogam, poucos ganham. Quem jamais perde é o dono do cassino. Assim funciona a FIFA, que se interessa mais por lucro que por esporte. Por isso desembarcou no Brasil com a sua tropa de choque para obrigar o governo a esquecer leis e costumes.
A FIFA quer proibir, durante a Copa, a comercialização de qualquer produto num raio de 2 km em torno dos estádios. Excetos mercadorias vendidas pelas empresas associadas a ela. Fica entendido: comércio local, portas fechadas. Camelôs e ambulantes, polícia neles!
Abram alas á FIFA! Cerca de 170 mil pessoas serão removidas de suas moradias para que se construam os estádios. E quem garante que serão devidamente indenizadas?
A FIFA quer o povão longe da Copa. Ele que se contente em acompanhá-la pela TV. Entrar nos estádios será privilégio da elite, dos estrangeiros e dos que tiverem cacife para comprar ingressos em mãos de cambistas. Aliás, boa parte dos ingressos será vendida antecipadamente na Europa.
A FIFA quer impedir o direito à meia-entrada. Estudantes e idosos, fora! E nada de entrar nos estádios com as empadas da vovó ou a merenda dietética recomendada por seu médico. Até água será proibido.
Todos serão revistados na entrada. Só uma empresa de fast food poderá vender seus produtos nos estádios. E a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios, que vigora hoje no Brasil, será quebrada em prol da marca de uma cerveja Made in USA.
Comenta o prestigioso jornal Le Monde Diplomatique: “A recepção de um megaevento esportivo como esse autoriza também megaviolação de direitos, megaendividamento público e megairregularidades.”
A FIFA quer, simplesmente, suspender, durante a Copa, a vigência do Estatuto do Torcedor, do Estatuto do Idoso e do Código de Defesa do Consumidor. Todas essas propostas ilegais estão contidas noProjeto de lei 2.330/2011, que se encontra no Congresso. Caso não seja aprovado, o Planalto poderá efetivá-las via medidas provisórias.

Se você fizer uma camiseta com os dizeres “Copa 2014” , cuidado. A FIFA já solicitou ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) o registro de mais de mil itens, entre os quais o numeral “2014”.

(Não) durmam com um barulho deste: a FIFA quer instituir tribunais de exceção durante a Copa. Sanções relacionadas à venda de produtos, uso de ingressos e publicidade. No projeto de lei acima citado, o artigo 37 permite criar juizados especiais, varas, turmas e câmaras especializadas para causas vinculadas aos eventos. Uma Justiça paralela!

Na África do Sul, foram criados 56 Tribunais Especiais da Copa. O furto de uma máquina fotográfica mereceu 15 anos de prisão! E mais: se houver danos ou prejuízo à FIFA, a culpa e o ônus são da União. Ou seja, o Estado brasileiro passa a ser o fiador da FIFA em seus negócios particulares.

É hora de as torcidas organizadas e os movimentos sociais porem a bola no chão e chutar em gol. Pressionar o Congresso e impedir a aprovação da lei que deixa a legislação brasileira no banco de reservas. Caso contrário, o torcedor brasileiro vai ter que se resignar a torcer pela TV.

Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros.

ZZFred, 06 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

Falar alto ou falar baixo?

Foto em: jungleer.worpress.com

Falta amanhecer no relógio
Daqui a pouco eu vou pra sacada ver o mundo que acorda, dá corda e a corda esticada não deixa parar
A cidade deserta é mais criança que as pessoas aflitas
Elas perderam a paz falando alto, calando ouvidos
Começou a pressa lá embaixo. 

Uma aflição desmedida, dantesca, burlesca e tosca
O verde mata e o vermelho estanca, dizem os semáforos
Prefiro o vermelho
Os carros encheram as ruas e os sacos
Do sétimo andar vejo o caos amanhecendo.
O estridor das buzinas cada dia mais cedo
Sonolento, o morador do terceiro nunca acerta o controle do alarme do automóvel novo do ano passado
Resta rir da vingança modorrenta do preguiçoso
Faço um sorriso horizontal quando o prédio acorda reclamando do moço que não aprende
Os barulhos juntam-se para ficarem mais calmos lá pelas oito
Hora dos importados silenciosos e dos executivos que falam baixo
 


(ZZFred, 05 de março de 2011)




FALAR BAIXO


Aproxima as pessoas para   escutar o que está sendo dito, prestando-se mais atenção nas palavras e  melhor entendimento.  Com Isso a mensagem é assimilada.

Transmite paz.

 Não prejudica o trabalho de outras pessoas que  tratam de assuntos nas proximidades, principalmente ao telefone. 

Melhora o ambiente.       


Não atrapalha trabalhos que requeiram concentração e criatividade.  


 FALAR   ALTO


Afasta as pessoas pois não é necessário ficar próximo para se escutar.  Causa irritação.  As pessoas ficam tensas. Prejudica o entendimento da mensagem.


Aumenta a agressividade.

Prejudica outras pessoas que tratam de assuntos nas proximidades, principalmente ao telefone.


Piora o ambiente.


Não permite a realização de trabalhos que requeiram concentração e criatividade.


A ORIGEM DO  “FALAR ALTO”


A urbanização iniciou-se às margens dos rios. Ali  foram construídas as primeiras moradias aproveitando-se os mananciais que proporcionavam água potável e onde as lavadeiras exerciam seu ofício.
Para se comunicar, devido a distância que ficavam umas das outras e ao barulho dos rios, eram obrigadas a elevar o tom de suas conversas para fazerem-se ouvidas.  Com a interiorização e a modernidade as pessoas ficaram mais próximas, não havendo mais necessidade de se comunicarem “aos gritos”.

ZZFred, 23 de maio de 2003

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Um susto pai d'égua.



Fred, 29 de fevereiro de 2012







Bons dias, com muita saúde, a todos que por aqui passarem. 

Pela primeira vez, vou tentar usar meu blog para relatar acontecimentos cotidianos em virtude do inusitado de uma situação vivida por mim e que possa ter algum interesse e utilidade.

A história mereceria um conteúdo mais detalhado mas, quando comecei a redigir sobre o assunto, ainda estava engrossando o sangue ou, convalescendo. Pensar e escrever naquele momento era quase impossível. Acabara de chegar de Belo Horizonte, depois da alta no Hospital Felício Rocho (com ch mesmo).

Aconteceu assim:

- Dia 15/02 acordei aqui em Lavras às 5:55 com um líquido escorrendo do fundo da garganta para baixo. Pensei logo: só pode ser sangue;
- levantei e fui prum dos banheiro de cima e conferi a abundância da coisa;
- deixei descer pelo nariz e tentei estancar erguendo a cabeça;
- nada de parar - fui para a outra pia já que a primeira entupiu com coágulos;
- aconteceu a mesma coisa;
- fui pra pia do lavatório de baixo e...repetiu o troço...
-aí, com uma toalha ensanguentada no rosto, acordei a Fátima e pedi que ela ligasse urgentemente para o Hospital Vaz Monteiro avisando o tipo de emergência que iria chegar...
- pedi, também, que acionasse o Horácio que, acho, chegou aqui antes dela desligar o telefone;
Lá no Hospital enfiaram umas coisas na minha narina direita que, resumindo, foi a pior dor que já passei nesta vida.
O trem é sem anestesia, gente.
Empurram uma espécie de balão murcho que depois enchem com ar para que ele vire uma bola maior quando está lá dentro e obstrua, internamente, o sangramento arterial.
Bão, isso foi feito pelo médico plantonista orientado pelo otorrinolaringologista que só pode comparecer no hospital umas duas horas depois. Nesse interim a tal gambiarra não aguentou a pressão e voltou a minar sangue arterial pela venta direita. Reboliço no hospital. O Horácio perdeu as estribeiras como nunca eu tinha visto antes. Torrou os médicos, enfermeiros, hospital e quem aparecesse na reta. Nisso o otorrino já estava lá e, infelizmente, ouviu poucas e boas. Ainda encontrei forças para entender a coisa e argumentar com meu filho, desculpando-me com o médico. Numa agitação dos infernos foi-me explicado que Lavras não dispunha do equipamento para a cirurgia.
Enfiaram-me numa daquelas ambulâncias da Unimed após a burocracia necessária e rumamos para BH. (esqueci: na mesma manhã chegaram minha filha Juliana e seu marido Breno que ajudaram, muito, nas providências e apoio)
- não mencionei a triste figura que me tornei  depois do procedimento para tentar estancar o sangramento.
Para evitar que os troços que estavam dentro da minha narina descessem pro pulmão ou o que o valha, prenderam a gambiarra numa tesoura e, esta, com esparadrapo branco no meu rosto.
O Horácio que não costuma perder piadas, ou inventá-las, em qualquer situação que esteja, fotografou e enviou pros celulares da Rô e da Ju.
- voltando à ambulância fomos enfiados, eu e a minha gambiarra nasal, na dita cuja para encarar cerca de 250 km que separam o Hospital Vaz Monteiro de Lavras do Hospital Felício Rocho de BH.
Fui acomodado na maca da viatura que é encaixada num trilho no solo e, o corpo do paciente, sobre um colchão sem vergonha, preso com duas cintas e pronto, assim, pra ser remetido, via entrega rápida.
Como o tal esparadrapo não mais colava no rosto a gambiarra de emergência, tive que improvisar nas 480 curvas estimadas do trajeto. Eu não sabia se me agarrava nos apoios laterais da maca ou segurava a tesoura dependurada. Assim, se a curva começava a ser feita pra esquerda, eu soltava a mão direita, para firmar a tesoura evitando a alavanca dolorida que o seu balançar fazia nas profundezas da minha fuça.
Imaginem quando o movimento era pra direita e pra esquerda numa seqüência rápida. Era um tal de pqp, fdp, vtnc, ai car..., etc. Nessas horas, sou muito criativo pressas coisas. Dessa forma, imaginem os piii da censura que a todo instante seriam ouvidos no interior da condução.
Ainda encontrei tempo para lucubrações filosóficas ao pensar: burguesinho afrescalhado, p.... nenhuma. Queria ver algum desses bostinhas - vermelhinhos de ocasião - que nunca sentiram na pele as agruras do zé povinho (preconceito na conta desses...), numa situação próxima a esta.
Alguns de vocês, provavelmente já viram isso de perto nos transportes de emergência.
Estou relatando uma remoção feita num veículo padrão da Unimed com o desconforto ou, o mínimo de conforto, do paciente. O motorista do meu caso, pegou os atalhos esburacados na saída para evitar os engarrafamentos da cidade.
O aperitivo indigesto fez prever o que estava pela frente.
Depois de trocar as faixas de gaza, digo, gaze, várias vezes (eu, como malabarista ficava equilibrando para tapar a venta direita...), chegamos ao destino.

Quem está à flor da pele, agora, sou eu. Mais, né?!

Sou, neste momento, um dos muitos que aguardam vaga para internação em apartamento conforme rezam os contratos.
Vejo pelas divisórias de vidro o movimento inquieto dos aventais brancos, sentado numa estrutura fria de aço inox.
Entra Breno, sai Breno, entra Horácio, sai Horácio.
Paciência que é bom, nada de entrar.

Puts, com esse inconveniente, acabei com o feriadão das famílias que estava planejado para o sítio de Esmeraldas.
O jeito foi ficar imaginando, pra consolar, que nada vem do nada, e que fui, apenas, um mero agente para alterar alguma situação indesejável que poderia acontecer.
É...

As enfermeiras bem treinadas e dulcíssimas, ficavam por perto para evitar erupções vulcânicas tanto do nariz como do paciente.
Quando assentaram-me numa cadeira de rodas e começaram a transitar pelos corredores enormes do Felício Rocho, pensei: Agora vai, devo estar a caminho do bloco cirúrgico.
Que nada. Aquilo era mais uma operação sossega leão.
Chegando numa outra sala menor, explicaram que estavam aguardando uma vaga pra me instalarem no tal apartamento.
Aí comecei a pensar e, é aí, que o bicho pega.
Se eu estava numa fila de prioridades, sei lá qual era a minha, veio o complexo de vira latas e, tome reclamações.
Apareceu uma senhora de branco aparentando pertencer à classe média-alta da casa para escutar e tentar reduzir o tom das minhas lamúrias.
Ao ver ou achar que estava entendendo, a situação piorou pro lado deles.
Caraca (termo que me permito, diferente do que usei aos berros)!! Se chegar algum bacana aqui, posso garantir que vocês encaminham a bosta desses processos rapidinho. Vai a m..., pô.... (= ao anterior).
-Realmente, senhor, temos um apartamento muito confortável disponível mas, o convênio não cobre os valores.
-Vai a m... de novo. Faz seguinte: me instalem lá até que a cirurgia aconteça e depois, quando vagar o tal apartamento conveniado, façam a mudança.
Uma diária, pelo menos, acho que consigo pagar.
Resolvido!! A cadeira recomeçou a andar e, ante os protestos dos companheiros de outros infortúnios  que entenderam um possível privilégio contra eles que aguardavam há mais tempo, fiz a enfermeira condutora parar a viatura pra explicar: realmente eu cheguei neste hospital há menos tempo que vocês, mas, desde às seis horas desta manhã eu estou dentro desse sistema tétrico de saúde. Fui transferido de Lavras para cá em regime de urgência!! Isso aqui é, só, uma continuação.
Não sei se foram meus argumentos ou a sangueira espalhada pela roupa, é que fizeram silenciar os presentes.
Brincando um pouco e, para resumir, o tal apartamento mais parecia uma suite presidencial. Um entra e sai de serviçais do hotel, digo, hospital, digno de cinema.
Eu, que nunca estive nem aí pressas coisas, ainda consegui tempo para soltar meu pensamento na direção das diferenças e privilégios sociais que assolam, ainda, o nosso pobre país.
Resta o "consolo" de que na terra do tio Sam é igual ou pior. Depois querem falar mal de Cuba.
Lá, a saúde e a cultura não são privilégios de poucos como aqui.
Dignidade para viver?!
Não, não é só isso!
O que falta aqui, é dignidade, até, para morrer.

Fechei o olho na sala de cirurgia e abri o olho numa cama da UTI. 
Depois fui informado que a cirurgia demorou mais de duas horas.
Mais ou menos isso!
Operação feita.
Simples, mas delicada.
Ora, se é simples, como pode ser delicada?!
Vai entender!!
Só sei que cauterizaram uma artéria interna cujo nome oficial é: Ligadura de artéria esfeno-palatina a direita.
Voltei prum outro apartamento para continuar a recuperação.
Não sei da condição da minha cabeça, mas os outros indicadores estavam ótimos.
Pressão arterial, por exemplo, na faixa de 13 por 8 ou bem próxima a isso.

OBA!! Fiquei livre da tesoura na cara !!

Agora é tentar me comportar e aguardar a alta médica.
Muito difícil essa história, principalmente quando envolve a proibição do tabaco. Se fumar, prejudica. Se, não, a ansiedade prejudica também.
Nessas alturas o Horácio, meu filho e querido acompanhante, tinha virado uma espécie de fanático religioso.
Todavia, um pastor do bem, preocupado com a recuperação do seu pai.
A Rosana, que chegara de São Paulo ajudou muito.
Começa a sair tensão e começa entrar desequilíbrios emotivos represados.
O mundo prático é o saco que todos conhecem.
Depois de tantas pressões psicológicas os sistemas nervosos dos envolvidos estavam em frangalhos.
Junte a isso o temperamento esporrento dos nossos ancestrais italianos e teremos, mais ou menos, o clima do apartamento que virou inferno nuns momentos.
Brigas que acabam, sempre, em lágrimas, beijos sentidos e arrependidos.
Ótimo. Somos humanos.
Foi tanta agitação entre eu, Horácio, Breno e a estrutura envolvida - fora o sistema nervoso que tava pra lá de Marraquech - coisas, sim, podem ter concorrido que não fossem exatamente os acontecimentos que ora são narrados por mim.
Na verdade, tava todo mundo meio pirado depois de tanta tortura. 
Estou só narrando o que percebi que aconteceu.
Discutir mérito disso ou daquilo é de menor importância. Todos, enfim, ajudaram muito.
Depois da cirurgia, a meta, era cair fora do ambiente hospitalar o quando antes.
Maior agonia a minha de ver tanta gente em função de um só problema.
O esquema estava assim:
- a Ju com a Fátima em Contagem;
- Iana, Ully e o Lutti em Esmeraldas, com o Breno fazendo das tripas coração para equacionar inevitáveis idas e vindas para Contagem e/ou BH;
- a Michelle, minha nora, no sítio do namorado de sua mãe em Igarapé e o Horácio, quando foi rendido pela Rosana, rumou pra lá também;
- domingo a Rosana voltou para Barueri e o Horácio assumiu de novo seu posto até que saísse a alta médica que ocorreu dia 20/02 pela manhã;
- meu carro ficou em Lavras na garagem da casa do Horácio onde vizinhos cuidavam da Hello e do Zé Bob;
- o carro do Horácio, um Palio esportivo que estava à venda, depois do capotamento da sua caminhonete ocorrido quatro dias antes desse corre-corre, reassumiu a sua condição de veículo principal família, pronto para transportar o operado de volta pra casa.
- hora de esquematizar o retorno.
Sugeri que a Ju fosse para a praça da Cemig em Contagem para baldear a Fátima e, a Michelle e o Horacinho, para algum lugar sombreado e próximo da Rodovia Fernão Dias evitando, assim, que retardasse a viagem de volta. Aconteceu tudo diferente. Pela manhã, no dia da alta, apareceu o Sr. Azadinho, meu sogro, no Hospital. Aí mudamos os planos. Pedi que a Michelle continuasse no tal sítio e a Ju em seu apartamento, para encontrar a melhor forma de atender a agenda do meu sogro, ou seja, deixá-lo em seu apartamento de Contagem antes do almoço que estava sendo feito pela cunhada Márcia. Ufa!!

- apesar das curvas, quebra molas, estradas mistas - ora asfalto, ora calçamento, ora pequenos trechos de terra - já estávamos no município de Igarapé trafegando na direção do sítio.
Eita coisa boa, pessoal.
A casa parece que nasceu no mato.
Santa Desorganização!!
Apesar de confortável era tudo muito simples.
Graças a Deus!!
A mãe da Michelle, o seu namorado Celso, todas as irmãs, sobrinhos, maridos e uma netinha do Lutti estavam lá curtindo os ares da natureza.
No ar o cheiro de comida mineira da melhor qualidade sendo feita no fogão a lenha pela Roberta, irmã da Michelle.
Dessa forma, sucumbi a tentação de ficar pro almoço.
Estava irresistível.
Enquanto a comida não ficava pronta pedi que o Horácio me levasse até uma área que tenho no Condomínio Fazenda Mirante, na mesma cidade.
Fomos até lá e, na volta, a notícia que o Lutti tinha almoçado uma galinha caipira de um sítio vizinho.
O danado ficou soltinho-soltinho nesses dias.
Em Esmeraldas, sofreram as codornas do Breno que, no entanto, não fizeram parte do seu cardápio. Serviram só pra correrem de lá pra cá enquanto ele latia em volta do codorneiro.

Depois do almoço pegamos a estrada e voltamos pra casa.
Agora está tudo normal, na medida do possível ...
Desculpem o longo texto.
Só peço que não considerem a possibilidade de uma história, sequer parecida.
Deus me livre.

Fred, 29/02/2012

"Ainda estou me recuperando da cirurgia feita em BH. Cheguei ontem. A cabeça, que nunca foi lá essas coisas, ainda está meia boca. Acabei com os planos do feriado de carnaval da família. Ficaríamos no sítio do Breno, meu genro, em Esmeraldas. Por ser delicada e um pouco rara, a cirurgia, que resumiu-se numa cauterização de uma artéria interna(?) na laringe ou faringe ou, ainda, nenhuma das duas, teve de ser feita na capital. Foi muita agitação presse pobre amigo seu. Se não fizer reviver, um dia eu conto os detalhes. Por enquanto ainda estou engrossando sangue...
Facebook, 21 de Fevereiro às 10:56"

"Foi, mais, um susto pai d'égua, que qualquer coisa. Ainda recuperando-me, dá pra reverenciar alguns médicos deste país que não sucumbiram à condição tétrica do sistema de saúde. Deus queira que esses discípulos de Hipócrates continuem fortes para caminhar descalços nessas areias escaldantes. Uma coisa é ver notícias sobre isso na TV. Outra é viver na carne ou, ver de perto as carências do setor. Não fossem as investidas de parentes, amigos e profissionais do mais alto quilate desse ramo, eu não estaria na condição que estou hoje. Já passamos da fase de procurar culpados. O negócio é resolver o mais rápido possível. Inadmissível continuar com esse cenário onde todos: população, médicos e planos de saúde fazem das tripas coração para respirar. Só investir não resolve. É necessário gerir de forma competente. Quaisquer avanços do Brasil, caem, caíram ou caírão por terra enquanto a saúde, a segurança e a educação estiverem mal das pernas. Beijão para todos aí também! PS: antes que algum precipitado venha com qualquer conjectura partidária ou politiqueira, devo dizer que não estou livrando a cara de "ninguém" do passado..."
Facebook, 22 de Fevereiro às 13:59