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sábado, 9 de julho de 2011

Billy Blanco


Se a Gente Grande Soubesse (Billy Blanco) - ZZFred

A Banca do distinto (Billy Blanco) - ZZFred

Sobre Billy Blanco:
"...Vários foram os protagonistas responsáveis pela invenção e pela ascensão do estilo, a partir de 1958, o ano dourado do primeiro campeonato mundial de futebol e do lançamento de Chega de Saudade. 

Na linha de frente, João Gilberto e Tom Jobim costumam ser citados, respectiva e mutuamente, como o criador e o consagrador da Bossa. Em torno deles, nobres companheiros: Vinícius de Moraes, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Miúcha, Nara Leão, Baden Powell, entre outros. 



Mas a história não é feita somente por aqueles em que os holofotes da notoriedade incidem mais diretamente. Se a batida do violão e o modo de cantar de João Gilberto, sintetizados a partir de influências sambistas, baianas e jazzísticas, são as marcas mais explícitas da Bossa Nova, outros artistas deram contribuições cujo valor geralmente destoa da relativa visibilidade que alcançaram. É o caso de Newton Mendonça, compositor injustamente relegado a segundo plano, apesar de assinar clássicos do porte de Chega de saudade e Desafinado em parceria com Tom Jobim. 

Pois bem: situação semelhante acontece com Billy Blanco, parceiro de Jobim em Tereza da Praia, a antológica gravação que proporcionou o encontro musical dos desafetos Lúcio Alves e Dick Farney. Em uma época em que ambos os cantores tinham fã-clubes que rivalizavam entre si, a composição de Blanco e Jobim foi gravada como um saboroso diálogo, em que se reproduzia a animosidade mais ingênua e bem-humorada que se possa imaginar. É a minha Tereeeza da Praia..., cantava Lúcio, ainda com marcantes resquícios do vozeirão samba-canção 
Não por acaso, a principal influência musical de Billy Blanco, citada por ele mesmo, é o feiticeiro da Vila, Noel Rosa, cujos sambas, na voz de Aracy de Almeida, podiam ser ouvidos pelo rádio na maior parte do país. Inclusive em Belém, de onde William Blanco Trindade partiu aos 19 anos, em 1943, rumo a São Paulo, conquistando a benção do pai com o pretexto de cursar Arquitetura no Mackenzie. O verdadeiro intento: fazer sucesso como compositor. E sucesso de fato, naquela época, só em terras cariocas, para onde o jovem se transferiu ao terminar o terceiro ano do curso superior que, após concluído, chegou a lhe render um bom ganha-pão. “Vim para o Rio para ser compositor popular. Mas precisava de um motivo. Meu pai me ajudava a pagar a faculdade e eu tocava à noite nos cabarés”, relembrou o músico, em entrevista por ocasião do lançamento pela Biscoito Fino. 



Para Billy Blanco, os anos 50 foram o início do sucesso: seduzidos pelo samba sincopado do paraense, contrastante com o estilo paulista, os Anjos do Inferno gravaram “Pra variar”, em 1951. Já a namorada Dolores Duran gravou “Outono”, lançando-o definitivamente no mundo artístico. “Dolores me abriu as portas. Fui apresentado a tudo quanto era cantor e introduzido no meio. Depois, como a vida anda pra lá e pra cá e o coração também, ela partiu para um novo amor e eu, para novas gatas. E continuamos amicíssimos”. Pode-se dizer que, em comparação a outros compositores de sucesso a partir da década de 50, Billy Blanco teve poucos e bons parceiros musicais. Entre eles, possuía guarida especial o maestro Jobim, de quem foi amigo até a morte.

Sobre a parceria com Antônio Carlos Jobim, o próprio Billy Blanco comenta: “Tom e eu somos de antes da Bossa Nova, de durante a Bossa Nova e de depois da Bossa Nova. Ele participava muito na letra e eu participava muito na música. Nos dávamos muito bem e senti muita emoção quando vi Paulinho (Jobim, filho de Tom) gravando Tereza da Praia com meu filho Bilinho.

Billy Blanco Jr., o referido Bilinho, além de produzir o CD, reencarna no disco, juntamente com Paulo Jobim, o diálogo entre Lúcio Alves e Dick Farney na canção mais que ensolarada. Entre os outros intérpretes presentes no CD, Leila Pinheiro dá uma voz de suíngue contagiante a “Banca do Distinto”. Na mesma estirpe, Olivia Hime comparece com “Viva meu samba”, fazendo da tristeza um carnaval de beleza. E Lucinha Lins ganhou de presente “Praça Mauá”, bela canção que, composta em 1951, já abordava os efeitos da desigual urbanidade carioca. “Praça da saudade, do adeus, da emoção”.

Erasmo Carlos canta com estilo a ironia de “Mocinho bonito”, uma sátira aos falsos malandros de Copacabana. Ney Matogrosso exagera de sentimento em “Esperança perdida”, a mais melancólica do disco, fruto da parceria Blanco-Jobim, já gravada em 1970 por João Gilberto. Completam o time de convidados Pery Ribeiro (“Encontro com a saudade”, parceria com Nilo Queirós) e Anna Lemgruber (“Desencanto”, Billy e Sebastião Tapajós).

Mas o naco melhor desse banquete musical são as canções interpretadas pelo próprio Billy Blanco. A começar pela faixa inicial do CD, a inspiradíssima bossa “Rio do meu amor”, perfeita exaltação à terra de São Sebastião, em melodia e poesia. Impossível não cantar junto.

Há tempo ainda para a ecológica “O boto falou”, com direito a coro infantil formado pelos netos do compositor, a inédita “Olho de fogo” e o clássico
“Samba Triste”, irretocável parceria com o já falecido violonista Baden Powell, canção com um sem-número de gravações no exterior. Uma interpretação cativante que, por si, seria suficiente para justificar o disco.

William Blanco Abrunhosa Trindade nasceu em Belém do Pará no dia 8 de maio de 1924. Willian é um arquiteto, músico, compositor e escritor brasileiro, seu samba sincopado que fugia da cadência vigente do estilo passou a chamar a atenção dos cantores da época.

A carreira de compositor deslanchou nos anos 50, quando suas músicas foram gravadas por Dick Farney, Os Cariocase Dóris Monteiro, além do já mencionados. Na década de 60, Billy participou de festivais e espetáculos, nos quais começaram a vir a público seus sambas em estilo de crítica sócio-comportamental.

Billy gravou sete discos de carreira e o mais recente deles, O Autor e Sua Música, foi lançado em 1996. Em 2002, a BF lançou A Bossa de Billy Blanco.

Atraído pela música desde criança, quando começou a compor tinha o cuidado ao escrever seus sambas, com letras elaboradas, assuntos e composições das canções.

Nos anos de 1940, quando cursava o segundo ano de engenharia, foi para São Paulo, para fazer o curso de arquitetura, ingressou no Mackenzie College em 1946. Foi para o Rio de Janeiro, e estudou na Faculdade de Arquitetura e Belas Artes, em 1948. Graduando-se em 1950, em arquitetura.

Tem um estilo próprio, descrevendo os acontecimentos a sua volta, com humor ou no gênero exaltação, falando de amor e das desilusões; onde seu samba sincopado, que fugia da cadência vigente do estilo , passou a chamar à atenção dos cantores da época. Sua primeira composição foi Pra Variar em 1951.

Nos anos 50 e 60 seus sucessos foram gravados por Dick Farney, Lúcio Alves, João Gilberto, Dolores Duran, Sílvio Caldas, Nora Ney, Jamelão, Elizeth Cardoso, Dóris Monteiro, Os Cariocas, Pery Ribeiro, Miltinho, Elis Regina e Hebe Camargo. Seu primeiro sucesso foi Estatutos da Gafieira, na voz de Inesita Barroso - gravação RCA Victor - 1954.

Parceiros
Baden Powell - Samba triste
Tom Jobim - Sinfonia do Rio de Janeiro - Suíte Popular em ritmo de samba - 1960.
João Gilberto - Descendo o morro. A montanha/O morro - onde os dois doutores do asfalto, homenageiam o samba de gente simples e de favela.
Cinquenta e seis parcerias com o violonista Sebastião Tapajós e com outros compositores, num total de quinhentas músicas, sendo que trezentas já gravadas.

Sucessos consagrados
Sinfonia Paulistana, Tereza da praia, O morro, Estatuto da gafieira, Mocinho bonito, Samba triste, Viva meu samba, Samba de morro, Pra variar, Sinfonia do Rio de Janeiro, Canto Livre.

Sinfonia do Rio de Janeiro
É composta por dez canções, escritas em parceria com Tom Jobim, em 1960. As canções são Hino ao Sol, Coisas do dia, Matei-me no trabalho, Zona sul, Arpoador, Noites do Rio, A montanha, O morro, Descendo o morro e o Samba do amanhã.

Sinfonia Paulistana
(Retrato de uma cidade)

Foi concluída em 1974. Billy Blanco trabalhou nela durante dez anos. É composta por quinze canções, cantadas porElza Soares, Pery Ribeiro, Cláudia, Claudette Soares, Nadinho da Ilha, Miltinho, coro do Teatro Municipal de São Paulo. Produção de Aloysio de Oliveira e orquestra regida pelo maestro Chico de Moraes.

As músicas se chamam Louvação de Anchieta, Bartira, Monções, Tema de São Paulo, Capital do tempo, O dinheiro, Coisas da noite, O céu de São Paulo, Amanhecendo, O tempo e a hora, Viva o camelô, Pro esporte, São Paulo jovem, Rua Augusta e Grande São Paulo.

Destacando-se o carimbó épico Monções, e a original fusão bossa-pop em O tempo e a hora.

Canto Livre
Escrito na época da Ditadura Brasileira, Billy Blanco compôs essa música assim que saiu de sua emporada no Forte de Copacabana.

O meu compromisso; com sinceridade; é fazer meu povo; sorrir outra vez; e melhor que isso; só se for verdade; No mais, tanto faz; como tanto fez;

Canta!; Sempre serás feliz quando cantares.; e dentre as coisas pelas quais lutares,; o canto puro e simples não esquece,; numa prisão, na irgreja ou na rua,; uma canção tem força de uma prece,; não haverá no mundo quem destrua,; morre um cantor e o canto permanece.;

Canta!; Mesmo cativo, o pássaro não liga; prendem o seu corpo, não sua cantiga,; seu canto é livre, livre como o vento; e um cantor não para, só morrendo; mas a canção revive sua memória; e ele renasce a caa momento; porque seu canto faz parte da História;

Livros escritos
(em parceria)

MACEDO, Regina Helena - Tirando de Letra e Música - Editora Record - 1996 - 224págs. - ISBN: 8501043397

MACEDO, Regina Helena - Florentino Dias: uma vida dedicada a música - Editora Record - 96 págs. - ISBN: 8501056529

Billy é a linha viva que dividiu (e divide) o samba canção, das vozes altas e letras tristes, da bossa nova. Poeta de um tempo glorioso, mas não perdido ou esquecido como preferem alguns, Billy Blanco está na ativa produzindo (85 anos), o que muitos na casa dos áureos 30 anos não conseguem sequer tentar. Compõe todo dia e quer mais.

Billy Blanco gosta de manter certas diretrizes em mente na hora de compor. "Ao escrever, pretendo que as canções sejam cantadas por qualquer pessoa em qualquer tempo. Não componho especificamente para uma só voz ou para um só tom. Quero que minhas canções signifiquem algo em qualquer tempo, sem ser saudosista. Música é para unir gerações, contar histórias das velhas para as novas", diz Billy.

"Estava acabando agora mesmo uma canção. E amanhã rasgo, jogo fora e faço tudo de novo. É como ginástica, aeróbica, essas coisas. O compositor, assim como qualquer instrumentista (um violonista, por exemplo), precisa trabalhar todo dia, colocar seu ofício em dia", diz Billy, com simplicidade. Ele também sabe que, para os padrões atuais, seu ritmo de produção é espantoso.

"Eu duvido que exista um compositor na minha idade produzindo do jeito que produzo. Como disse, componho todos os dias, e não é porque tenho que compor para sobreviver. Eu sobrevivo para compor. E faço isso exatamente como fazia há 60 anos. É minha necessidade e meu papel no mundo", diz. 
"
Mais em:
http://www.letras.com.br/biografia/billy-blanco

ZZFred, julho de 2011

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O retorno ao lar.


(Fragmento do livro Álcool Ajuda ou Autoajuda - Fred Explica - 1999)
Nota: Os textos postados neste blog não obedecem a nenhuma ordem cronológica.
ZZFred


"A família toda se espremeu no veículo como se fosse um organismo juntando a peça que faltava."


(...)
Em: opapeldeparede3D.com
Final de janeiro.

Meu futuro genro dirigia um carro confortável e a cidade passava pela janela, diferente e encantada como nunca.
Todos estavam falando ao mesmo tempo mostrando uma animação que contagiaria qualquer um.
Mas era um mundo novo e eu estava curtindo tudo que via do lado de fora.
Sabia das ruas, das crianças brincando nos passeios, das árvores verdes, do sol entardecendo  e dos carros. No entanto, as coisas estavam diferentes e eu, misturando alegria e emoção, engolia seco para que não fosse mal compreendido. O êxtase sufocou o entusiasmo.
A família se espremeu no veículo como se fosse um organismo juntando a peça que faltava.
E toma emoção!
Na frente de casa e dentro da garagem, igual comitê político com faixas por todo lado.
Papai, nós te amamos – você é muito importante para nós – seu exemplo de força inspira todo mundo e assim por diante.
Abraçavam-me sem parar, antes que as pernas parassem de tremer e eu pudesse, enfim, entrar no humilde castelo. 
Que rei sou eu? – perguntaria, lembrando o personagem do Jô Soares.
Pensando terem acabado as homenagens, mais surpresas.
A casa estava abarrotada de amigos e as mensagens eram agora em cartolina, tantas que me fizeram, finalmente, esquecer a fortaleza e desabar em lágrimas.
- Obrigado gente, eu não mereço!
Foi o que consegui expressar no discurso mais curto da história.
(...)

Fred, 30/06/2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ansiedade


A ausência de serenidade para enfrentar os desafios, faz que o comportamento do indivíduo se torne doentio, cheio de expectativas, normalmente perturbadoras, gerando incapacidade e ação equilibrada e de desenvolvimento dos valores ético-morais corretos. 




Ao mesmo tempo, avoluma-se na mente uma grande quantidade de ambições, de desejos de execução ou de conquista de coisas simultâneas, aturdindo, desorientando o paciente, que sempre se transfere de um estado psicológico para outro, muitas vezes alternando também o humor.


 A necessidade conflitiva de preencher os minutos com atividades, mesmo que desconexas, diminui-lhe a capacidade de observação, confunde-lhe o pensamento e, quando, por motivo imperioso vê-se obrigado a parar, amolenta-se, deixando de prestar atenção ao que ocorre, para escorregar pelo sono no rumo da evasão da realidade.

Justifica que não está dormindo, mas de olhos fechados, dominado por um estranho torpor, que é fruto do desinteresse pelo que acontece em volta, convocando-o a outras motivações que, não fazendo parte do seu tormento, infelizmente não despertam interesse.

O comportamento ansioso é estimulado por descargas contínuas de adrenalina, o hormônio secretado pelas glândulas supra-renais, que ativam a movimentação do indivíduo, parecendo vitaliza-lo de energias, que logo diminuem de intensidade.

Algumas vezes torna-se loquaz, ativo, alternando movimentações que o mantenham em intenso trabalho, nem sempre produtivo, por falta de coordenação e direcionamento. Noutras ocasiões, sofreia a inquietação e atormenta-se em estado de mutismo, mas interiormente tumultuado.

Quanto mais se deixa arrastar pela insatisfação do que faz, mais deseja realizar, não se fixando na análise das operações concluídas, logo desejando outros desafios e labores que não tem capacidade para atender conforme seria de desejar.

Na turbulência comportamental, os indivíduos tornam-se, não raras vezes, exigentes e preconceituosos, agressivos e violentos, desejosos de impor a sua vontade contra a ordem estabelecida ou aquilo que consideram como errado e carente de reparação.

Os seus relacionamentos são turbulentos, porque se desejam impor, não admitindo restrições à forma de conduta, nem orientação que os invite a uma mudança de comportamento.

Quando são atraídos sexualmente, tornam-se quase sempre passionais, porque supõem que é amor aquilo que experimentam, desejando submeter a outra pessoa aos seus caprichos e exigências, como demonstração de fidelidade, o que, após algum tempo de convivência, torna-se insuportável, em razão dessas descargas contínuas de epinefrina que respondem por essa necessidade e mudanças de conduta, pela instabilidade nas realizações.

Estressando-se com facilidade, em razão da falta de autoconfiança e de harmonia interna, o paciente tende a padecer transtornos depressivos, quase sempre de natureza bipolar, com graves ressonâncias nos equipamentos neuroniais.

Passados os momentos de abstração da realidade, o salto para a exaltação leva-o aos delírios visuais e auditivos, extrapolando as possibilidades, para assumir personificações místicas ou histriônicas, poderosas e invejadas, cujas existências enganosas encontram-se no seu inconsciente.

Terminado o período de excitação, no trânsito para o novo submergir na angústia, torna-se muito perigoso, porque a realidade perde os contornos, e o desejo de fuga, de libertação do mal estar atira-o nos abismos do autocídio.

Desfilam em nossa sociedade inúmeros indivíduos ansiosos que se negam ao reconhecimento do distúrbio que os atormenta, procurando disfarçar com o álcool, o tabaco, nos quais dizem dispor de um bastão psicológico para apoio e melhor reflexão, nas drogas aditivas ou no sexo desvairado, insaciável, o que mais lhe complica o quadro de insanidade emocional.

O reconhecimento da situação abre oportunidade para uma terapia de auto-ajuda.

Joanna de Angelis

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Alteritário e não, autoritário.



Copiado de http://marcoaureliorocha5.blogspot.com/2011/02/alteridade-e-reforco-positivo.html em 26/02/2011
Fonte da foto: oficinadossentimentos.com.br


Alteridade e Reforço Positivo 

A educadora Ermance Dufaux nos esclarece que alteridade é: “O estabelecimento de uma relação de paz com os diferentes. A capacidade de conviver bem com a diferença da qual o outro é portador”. (...)




ATENÇÃO! MUITO IMPORTANTE:

Em sintonia com o estilo de liderança que foca “o pessoal” e “o resultado da empresa”, dou a sugestão de adotar um dos discursos abaixo na comunicação com seus liderados. É preciso que os discursos sejam sinceros. Alguns exemplos: 
“O que espero de vocês é que sejam produtivos e que bem se relacionem. Pois, se forem produtivos, mas não se relacionarem bem, a nossa convivência no trabalho não faz sentido”.
Ou, “O que espero de vocês é que sejam produtivos e que sejamos todos amigos. Pois, se forem produtivos, mas se não formos amigos, a nossa convivência no trabalho não faz sentido”.


Ou,“O que espero de vocês é que sejam produtivos e que a afetividade faça parte do nosso grupo. Pois, se forem produtivos, mas não se relacionarem bem, a nossa convivência no trabalho não faz sentido”.



Obs: Qualquer que seja o discurso a ser adotado ele precisa exalar verdade. Isto é, jamais o discurso deve ser apenas da “boca prá fora”. 

Atenção: Além de colocar seu coração enquanto fala a frase acima, é preciso procurar vivenciar no dia-a-dia a mensagem que está passando ao seu pessoal. Pois, de que valerá falar sobre a importância do relacionamento se o líder não se relacionar bem com o seu pessoal? De que valerá ditar normas de conduta se o líder não for um exemplo de boa conduta? 

REFORÇO POSITIVO, IMPORTANTE TÉCNICA PARA EXERCITARMOS A ALTERIDADE

O fato de vivenciarmos a alteridade implica em sermos educadores. Pois todo bom educador é alteritário. Portanto, a forma mais produtiva da convivência em grupo, é nos considerarmos educadores. 
Já é patente que todo bom líder é um educador e que todos bons pais são educadores. No entanto, mesmo que ainda não sejamos líderes ou pais, é importante também agirmos como educadores. Pois ser educador não tem a ver com cargo ou função. Ser educador é escolha pessoal. E assim posicionando-nos, nos colocamos como parte integrante e proativa do desenvolvimento dos grupos dos quais fazemos parte, vivenciando a alteridade.
Mas, o que é um educador?
A resposta popular é que educador é o ser que tem por função educar as pessoas. E este é o grande erro conceitual, já bem esclarecido pela moderna pedagogia. 
O educador, que merece essa denominação, sabe que educar não é sua função. Ele tem consciência de que não é ele que “educa”. Sabe que cabe a si a importante função de criar ambiente favorável para a própria pessoa se auto-educar. Por exemplo, um professor não educa seus alunos. Sua única função possível é estimularem-nos a se auto-educarem. 
Para melhor entendermos a função de um educador, pense num hábil jardineiro. Ele aduba o jardim, planeja os canteiros, revolve a terra e, por fim, planta as sementes no solo. Se o adubo é bom, se o planejamento foi bem feito e se a terra foi bem preparada e irrigada, surgirá um belo canteiro, onde lindas e cheirosas flores irão encantar o ambiente. O educador é o jardineiro. O educando é a semente. 
Não há jardineiro no mundo que consiga o milagre de fazer a semente desabrochar. Esta função é da própria semente. Somente ela traz potencialmente essa condição. Mas o jardineiro pode, conforme vimos, criar o ambiente ideal para ela – por si mesma - desabrochar. 
Não há líder, pais, ou pessoa no mundo que faça um ser humano crescer interiormente. Esta função é da própria pessoa. Mas o educador pode criar o ambiente ideal para o ser, por si mesmo, se auto-educar ou se auto-motivar (é importante sabermos que também ninguém motiva alguém, é a própria pessoa que se auto-motiva). Conscientes dessa realidade, podemos “sentir” o valor do reforço positivo na convivência com o próximo. O reforço positivo é o preparo do solo do jardim da alteridade. 
A dose certa de reforço positivo.
Se o jardineiro colocar muito adubo e irrigar além do necessário, a semente tende a apodrecer-se. Da mesma forma, o reforço positivo precisa ser usado na dose certa, nem pouco, nem muito. O líder que elogia todos os dias seus liderados, consegue menos resultados do que aquele que elogia esporadicamente, pois neste caso o reforço passa a ter mais peso e valor.
Direitos e deveres.
O líder e o educador tem direitos e... deveres. E sobre esta questão reflitamos sobre a frase que ouvi de um dos participantes de meus treinamentos: Quem tem o direito de criticar, tem o dever de elogiar. 
É comum líder e educador (que neste caso não merecem estes nomes) utilizarem-se do seu direito, mas não do seu dever. Já ouvi pessoas dizerem: “Meu chefe enxerga todos os meus erros, mas não vê meus acertos”. 
E há chefes que em vez de aplicarem o reforço positivo, fazem o oposto: aplicam o reforço negativo. Isto é, quando o funcionário faz algo bem feito ele diz: “Você não fez mais do que sua obrigação. Você é pago para isto.”
Não nos esqueçamos de que o fato de aplicarmos o reforço positivo (nosso dever), não pode anular nossa crítica (nosso direito). É fundamental que saibamos que reforçar o positivo não necessariamente significa deixar de dizer onde a pessoa está errando. A crítica construtiva, a crítica bem feita, sempre é bem vinda. Reforçar o positivo significa dar ênfase principalmente aos acertos, mas, se para maior eficácia no resultado ser necessário apontar os erros, isto deverá ser feito. 
A melhor forma de criticar alguém.
Nenhuma pessoa gosta de ser criticada. Repare que logo após a crítica, vem uma justificativa do interlocutor. E quem justifica, explica, mas não resolve. Uma técnica bem adequada para criticar, é a denominada “PNP” (Positivo/Negativo/Positivo), isto é, ao necessitar criticar construtivamente alguém: comece e termine dizendo coisas positivas; coloque a crítica entre as coisas positivas. A seguir, um exemplo: 
Primeira parte: reforçando o positivo.
“Você trabalha nesta empresa há dez anos, e sempre demonstrou ser um profissional altamente competente. Me lembro do seu projeto para diminuir os custos do seu setor o quanto foi útil para nossa empresa. Lembro-me também quando há dois anos você melhorou o lay out da casa das máquinas, o que gerou melhor produtividade”.
Segunda parte: a crítica.
Após o comentário anterior, o interlocutor abre a janela da mente, pois todo mundo gosta de ser elogiado. Quando você perceber que a janela da mente está bem aberta, coloque a crítica, com o peso que ela deve ter. Algo assim:
“Só que desta vez você cometeu um erro primário. Você mudou a função do seu principal funcionário sem dialogar com ele. O seu proceder está gerando sérios problemas no ambiente interno e a produtividade do seu grupo caiu assustadoramente”.
Obs.: A crítica precisa ser completa, mas rápida. Pois a medida que você critica, o interlocutor vai fechando a janela da mente, querendo justificar-se. No entanto, antes dele justificar-se, você entra na terceira parte, a seguir.
Terceira parte: reforçando o positivo.
Nesta parte você conclui, dizendo: “Mas eu sei da sua inteligência. Tenho consciência de sua competência. Você conseguirá dar volta por cima. Veja que atitude você julga ser melhor adotar, para voltar ao bom ambiente interno que você sempre primou”.
Atenção: A técnica “PNP” só funciona se você tiver o hábito de utilizar-se rotineiramente do reforço positivo (obviamente na dose certa, sem exagero). Se você não tiver o hábito de utilizar-se do reforço positivo, isto é, se você elogiar apenas quando quer criticar, a técnica não funciona. Pois, quando você começar a primeira parte da “PNP” o interlocutor não irá abrir a mente, e pensará: “lá vem crítica!”.
Líder, o caçador de acertos.
A Talent é uma agência de propaganda que criou frases memoráveis como “Não é nenhuma Brastemp”, “A diferença é que o Estadão funciona”, “Bonita camisa, Fernandinho”, dentre outras. À frente dessa agência há um líder especial, Júlio Ribeiro. É imensa sua capacidade de criar um ambiente interno altamente favorável. No seu livro Fazer Acontecer, Editora Cultura, Júlio Ribeiro nos diz que todo líder precisa ser um caçador de acertos. Leia seu recado: “Não se esqueça de ser sempre um caçador de acertos, não de erros. É tolice apontar constantemente os erros da equipe, esperando que com isso ela não erre mais. É melhor estimular os acertos, para que o grupo fique desejoso de acertar sempre. Uma equipe assustada, em vez de tentar fazer o que é o melhor para resolver os problemas da empresa, passa a tentar adivinhar aquilo que o cliente quer. Quando a equipe sabe que o seu trabalho é apreciado, passa a trabalhar bem, por simples satisfação pessoal. É quando fica até a madrugada para tentar uma solução melhor; é quando negocia uma vez mais um plano de mídia para conseguir condições que nem o cliente esperava; é quando fica alegre por alguém ter gostado do trabalho criativo”.
Um mestre no uso de palavras positivas.
O dentista Dr. Tom Mcdougal é um mestre no uso de palavras positivas. Ele diz: “mudança de horário” em vez de “cancelamento”; “sala de recepção” em vez de “sala de espera”; “combinar o tratamento” em vez de “pagar”; “esvaziar a boca” em vez de “cuspir”; “preparar o dente” em vez de “passar o motor”; “pequena picada” em vez de “injeção”; “sentirá um certo desconforto” em vez de “sentirá dor”.
Muitas vezes não nos preocupamos em escolher as palavras certas na conversa com o próximo. E colocar a palavra certa é fundamental, pois só assim poderemos nos ver como educadores e comunicadores. Imagine um pai que, querendo que o filho tenha melhor redação, diz a ele: “Você já estudou onze anos para escrever esta porcaria?! No meu tempo eu trabalhava e estudava, você só estuda e nem sabe escrever!!!” 
Será que este pai comunicou-se com o filho? Não. Este pai desabafou! E desabafo não é comunicação. É verdade que nenhum ser humano consegue ter controle emocional em 100% do seu tempo. Assim, é normal errarmos na comunicação em 10 dias por ano. É normal de vez em quando desabafarmos, em vez de comunicarmo-nos. Mas não podemos errar em 350 dias do ano!
Se quisermos ser comunicadores e educadores, precisamos ter especial cuidado na escolha das palavras que saem de nossa boca.


(texto completo no endereço acima)

Fred, 26/02/2011

domingo, 9 de janeiro de 2011

Um Verdadeiro Irmão


(Fragmento do livro Álcool Ajuda ou Autoajuda - Fred Explica - 1999)
Nota: Os textos postados neste blog não obedecem a nenhuma ordem cronológica.
ZZFred
(...)


"Os mais velhos eram respeitados naturalmente e, na maioria das vezes, temidos por sua energia moral e pelo acúmulo de experiências. Nos transportes urbanos não ficavam de pé. Nem eles nem as mulheres grávidas ou não. Era natural e bonito ceder lugares, respeitosamente, a essas pessoas"
Anos sessenta 

Quando observo a insegurança das ruas de hoje e brinco que os trombadinhas da época éramos nós mesmos, não estou falando a verdade.
Realmente as esquinas tinham os seus donos e seus regulamentos de conduta, fidelidade, honra e comprometimento irrestrito com a amizade.
Lembro-me de um menino negro muito carente que ganhamos em nosso meio.
Sua cor nunca foi referência e, ai de quem manifestasse preconceito!
Destacava-se pela presença de espírito, inteligência, humor e simpatia, suas marcas registradas.
Como naquele tempo todo cidadão negro era logo apelidado de Pelé, com ele não aconteceu diferente.
Conseguiu uma caixa de engraxate e começou a faturar alto com o seu trabalho.
Era nosso protegido, irmão mais novo de todos nós que participávamos como voluntários no seu negócio conseguindo, cada um, junto aos familiares um bom estoque de calçados.
Um serviço de primeira que foi logo reconhecido pelos moradores tornando a calçada onde colocava seus apetrechos cheia de sapatos durante todo o dia.
Ajuizado, aplicava seus ganhos metodicamente.
Pagava seus estudos e ajudava os familiares.
Curioso, nunca soubemos onde ele morava e, também, nunca o perguntamos – isso não era da nossa conta.
- Cadê o Pelé?
Todos queriam saber quando passava algum tempo ausente.
Raramente faltava e, quando acontecia, causava preocupações generalizadas.
Lembro das vezes em que deixava os sapatos encostados nas paredes dos prédios e saía para tomar refrigerante e comer um salgado no Bar do Vicente localizado a dois quarteirões do seu ponto comercial.
Os sapatos, alguns de custo elevado, ficavam por ali até sua volta, por mais que tardasse.
A segurança era total, nunca houve sequer um furto na sua ausência.
Em minha juventude, no centro da grande metrópole, só me lembro de uma ocorrência policial na região.
O ladrão foi flagrado pelos moradores que estavam à janela do quinto andar de um dos prédios e, enquanto a polícia não chegava, ficavam pipocando com a boca uns sons que pareciam tiros de revólver e emitindo gritos orientando onde estava o elemento.
O quarteirão no qual o meliante estava se aventurando tinha muitas casas, mas era contornado por edifícios em quase toda sua volta.
Não havia saída!
Os moradores nas janelas gritando, ele pulando dos telhados para os muros, dos muros para os quintais, dos quintais para os muros e o quarteirão todo cercado pelos jovens, os reis da rua, esperando ansiosamente sua saída.
Ia ser uma festa (chamávamos assim as brigas de rua) das boas.
O descuidado estava louco para que o Rapa chegasse logo, livrando-o da turba ensandecida.
Quando chegou a rádio patrulha ele entrou como um foguete na viatura com os olhos arregalados de medo.
Havia mais solidariedade e caráter nos cidadãos.
Desnecessário um estatuto de idosos.
Os mais velhos eram respeitados naturalmente e, na maioria das vezes, temidos por sua energia moral e pelo acúmulo de experiências. Nos transportes urbanos não ficavam de pé. Nem eles nem as mulheres grávidas ou não. Era natural e bonito ceder lugares, respeitosamente, a essas pessoas.
Isso nos anos sessenta - não se passou tanto tempo - pelo menos eu penso assim.
Não tínhamos medo da polícia e sim dos nossos pais.
- É gente, o Pelé sumiu de vez!
Observação e preocupação própria de uma grande família.
- Ninguém saber onde ele mora é um absurdo! -comentário geral.
Todos com o coração apertado de tantas especulações e alimentando sentimento de culpa.
Chegaram a dizer que fora atropelado por um ônibus.
Outros afirmavam de maneira convicta que um empresário de cinema do Rio de Janeiro reconheceu seu talento levando-o embora.
Esse caso nunca foi muito bem explicado.
Mas Pelé não era só um amigo; era irmão.
Entramos em contato com a polícia, o Pronto Socorro, a Santa Casa e nada...
Quando nunca mais se vê um amigo, ele não envelhece na memória.
Até hoje, quase quarenta anos depois, nas poucas vezes que passo por ali, vejo com os olhos do coração um menino alegre batucando seu instrumento de trabalho.

(...)

Fred, 09/01/2011